Os prazeres do cicloturismo

Em Florianópolis, costumo participar de vários grupos de pedais. O grupo que vou com bastante frequência são os pedais das manhãs de sábado organizados pelo casal Naiara e Vinícius e o ponto de encontro é na Bike Tech Floripa, no bairro Itacorubi. Quando pedalava sozinha, eu me achava o máximo, que era forte na bicicleta. Mas quebrei a minha cara quando comecei a ir em grupo! Tive dificuldade de acompanhar a galera, oh! Em nenhum momento, fui deixada para trás. Ganhei muitas dicas e incentivos dos mais experientes.

Os passeios de bicicleta da Bike Tech Floripa começaram em outubro de 2015 com ritmo leve. Nessa época, eu já tinha mais experiência e bom condicionamento físico em pedalar. No entanto, gosto muito de participar de pedal durante o dia com leveza, sem pressa e sem pressão. Hoje os pedais da Bike Tech Floripa são de vários tipos: ritmo leve, ritmo médio, cicloturismo e MTB em trilhas. O que vou contar aqui são os cicloturismos sensacionais que participei.

Pedal dos Golfinhos

O primeiro cicloturismo da Bike Tech Floripa foi em Governador Celso Ramos. A cidade tem belíssimas praias e muitos morros. Havia dois roteiros: um de 20 km e outro de 40 km. Optei pelo mais longo, com várias subidas e descidas, algumas mais fortes e outras mais suaves. Ah, o meio de deslocamento até Governador Celso Ramos foi especial: fomos de barco! Após um farto e delicioso café da manhã ao ar livre, partimos do Trapiche da Beira Mar Norte por volta das 8 horas da manhã de domingo de 15 de maio de 2016. Passamos pela Baía dos Golfinhos e não os avistamos. Mas havia as pequenas ilhas com construções históricas e imponentes como o forte. A viagem teve sol com vento forte e quase todo mundo se agasalhou no barco.

Chegamos ao nosso destino e nos aprontamos logo para começar a pedalar. O sol ficou entre as nuvens e julguei perfeito para a empreitada do dia. Fiquei surpresa com as estradas de Governador Celso Ramos. Não encontrei nenhum buraco pelo caminho! Na verdade, só um.  Nenhum mato invadindo a rua. Apesar de a maioria das estradas ser estreita, não tivemos problema com outros tipos de veículos. Governador Celso Ramos é uma cidade turística como Florianópolis. No entanto, a capital de Santa Catarina possui muitas vias esburacadas e matas no caminho. Uma vergonha e um perigo para as pessoas!

Consegui subir e descer todos os morros em estradas em que a maioria era de asfalto.  Como é bom sentir o gosto da vitória, principalmente em companhia de amigos que fazem a mesma coisa que eu.  O nosso almoço delicioso foi no Restaurante O´Porto com muitos frutos do mar. Após o almoço e confraternização, embarcamos de volta à Floripa com vento frio. Parecia que ia chover, mas a chuva somente veio à noite, quando todos nós estávamos em nossas casas. O primeiro cicloturismo da Bike Tech Floripa foi nota 10! Vieram outros e não sei dizer qual o melhor de todos até hoje. Cada um é especial com as suas particularidades.

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De barco para pedalar em Governador Celso Ramos. Foto: Vinícius Leyser da Rosa
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Asfalto sem buraco e mata sem invadir a estrada. Bom de pedalar! Foto: Vinícius Leyser da Rosa
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Alegria de concluir um bom pedal! Foto: Vinícius Leyser da Rosa

Pedal Serrano

O próximo cicloturismo veio logo no domingo de 26 de junho de 2016 e passamos pelo interior das cidades de Águas Mornas, São Bonifácio e São Martinho em um dia de frio agradável com sol. A maior parte do percurso de 65 km foi em estradas de terra, com muitas subidas e paisagens espetaculares. Almoçamos no Restaurante Hawerroth em São Bonifácio. Eu me sentia cansada e ia pedalando mais devagar do que o costume. No entanto, quando retomamos o pedal após o almoço, o Erni notou que o meu freio traseiro (do tipo V-brake) estava grudado no pneu e me perguntou se eu gostava de sofrer. Oh! Ele ajustou o freio e nem preciso dizer que dei uma disparada na bike. Ora, ora! Pensei que era eu que estava cansada! Aprendam com a Luluzinha: examinar a bicicleta para ver se está tudo “ok”!

Costumo fazer uma descida rápida de bike e nunca caí. Então, nesse dia aconteceu a minha primeira queda em descida. Descia numa curva e avistei uma ponte estreita. “Ai, vou cair no rio!” Preferi frear e cair no chão a ir para o rio. Freei, dancei de um lado para o outro na tentativa de não cair. Direcionei o corpo para cair no lado esquerdo da estrada de terra. Minha amiga Pilar vinha logo atrás de mim pelo lado direito da pista e, apesar do susto, reagiu imediatamente tirando as nossas bikes do caminho e avisou os demais ciclistas que vinham na sequência. Fiquei no chão por um tempo examinando o corpo e levantei devagar. A calça rasgou na parte do joelho esquerdo e senti um pouco de dor. Ah, vi que a ponte era larga! Enxerguei mal! Senti que tinha condições de continuar pedalando tranquilamente. E foi o que aconteceu! Pude curtir muito bem até chegar ao Fluss Haus, em São Martinho, considerado um dos melhores cafés coloniais de Santa Catarina. O lugar é enorme e tem até pousada. Eu tinha um estojo de primeiros socorros e tratei logo de limpar os meus ferimentos. Somente havia arranhões no joelho e hematomas no braço esquerdo e nas pernas. Fui alertada de que a dor do dia seguinte é mais forte do que no dia da queda. De fato, senti dor nos dias posteriores, mas suportáveis. Havia tomado remédio para aliviar as dores. Os hematomas assustaram os meus amigos que insistiram que eu consultasse um ortopedista. Fui, bati raio X e não tinha nada quebrado no meu corpo. Graças a Deus!

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O espetáculo da natureza que nos motiva a pedalar. Foto: Vinícius Leyser da Rosa
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Oiê! Foto: Erni Meira
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Minha primeira queda de bicicleta em descida. Foto: Vinícius Leyser da Rosa
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Vale a pena pedalar por um visual espetacular. Foto: Vinícius Leyser da Rosa

Pedal da Cuca

Meu terceiro cicloturismo com a galera da Bike Tech Floripa aconteceu no dia 9 de outubro de 2016. Cuca é o nome do bolo alemão encontrado em nosso Estado e o encerramento do dia se deu no Café Colonial Encostas da Serra, no centro de Anitápolis. As cucas estavam deliciosas! Pedalamos pelas regiões de Águas Mornas, Rancho Queimado e Anitápolis em percurso de 60 km, sendo a maior parte em estradas de terra e com muitas subidas. Subi todos os morros com tranquilidade e encantada com a natureza ao meu redor. Foi difícil e, ao mesmo tempo, senti muita paz. Pedalei sozinha em grande parte das subidas. Eu estava no meio do grupo, entre os que pedalavam mais forte e os que iam mais devagar. Em todos os pedais sempre há reagrupamento e ninguém fica para trás. Na hora do almoço, fizemos um piquenique. Ah, como adoro os sanduíches da Naiara! O dia foi muito agradável com sol entre as nuvens e teve até uma linda cachoeira pelo caminho. Aliás, todos os cicloturismos que participei sempre tem um rio e/ou cachoeira.

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Pneu furado e vamos todos ajudar. Foto: Vinícius Leyser da Rosa
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Ah, que delícia de pedal! Foto: Vinícius Leyser da Rosa
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Viva a natureza! Foto: Vinícius Leyser da Rosa
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Força nas pernocas! Foto: Vinícius Leyser da Rosa
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Curtindo o frescor e a beleza da cachoeira. Foto: Vinícius Leyser da Rosa

Rota das Colônias

Quase não participei de meu quarto cicloturismo pela Bike Tech Floripa por causa do forte calor em Floripa. Eu estava evitando pedalar durante o dia. Somente ia de manhã cedo ou no fim do dia. No entanto, o meu desejo de pedalar bateu mais forte do que o calor. O Vinícius e a Naiara comentaram que havia bastante sombreamento pelo caminho. De fato, teve sombras em boa parte do trajeto de cerca de 60 km que me ajudaram a encarar o desafio do dia. O passeio começou em Rancho Queimado e fizemos a primeira pausa na vila de Rancho das Tábuas. Depois prosseguimos até a cidade de Angelina e no caminho passamos pela represa de uma pequena hidrelétrica, onde alguns amigos tomaram banho de rio. Fizemos piquenique na praça central de Angelina e tendo a nossa frente uma enorme e bela Igreja Católica. Ah, tinha os deliciosos sanduíches da Naiara! Após o almoço, encaramos logo uma forte subida e… “Olha a chuva!”. “Ah, que delícia!” Espantou o calor! Por causa da chuva, não passamos pela região de Betânia e tocamos direto para São Pedro de Alcântara. A chuva foi embora e o clima ficou muito agradável. Pensei que em Floripa estaria da mesma forma. Nada disso! Não choveu e a cidade estava um forno! O pedal terminou no Café Colonial Girassol em São Pedro de Alcântara com muitas delícias. Ah, como adoro café colonial! Principalmente depois de concluir um pedal.

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Início do pedal, em frente à Prefeitura Municipal de Rancho Queimado. Foto: Luciana Vieira
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Com Vinícius, um dos responsáveis pela organização dos sensacionais cicloturismos da Bike Tech Floripa. Pose de ciclistas! Foto: Pilar Alejandra
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Na Represa do Garcia. Foto: Luciana Vieira
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Na praça central de Angelina. Foto: Luciana Vieira

Todos os cicloturismos que participei incluíram café da manhã, enquanto as nossas bikes eram colocadas na van. Durante o passeio, sempre teve lanche e água para nos abastecermos. Alegria, companheirismo e parceria dos ciclistas sempre estiveram presentes. A bicicleta, como digo muitas vezes aqui, está me proporcionando muitas oportunidades de conhecer novos lugares. Todos espetaculares! De bicicleta, sinto mais o lugar com os seus cheiros, suas cores, seus contornos. Tão bom! Viva a bicicleta! Viva a vida!

A Bike Tech Floripa possui um blog em seu site e também página no Facebook, onde são informados os passeios de bicicleta. Veja os cicloturismos relatados no blog da Bike Tech Floripa clicando neles: Pedal dos Golfinhos, Pedal Serrano, Pedal da Cuca e Rota das Colônias.

 

Outros lugares

Luciana Vieira Visualizar tudo →

Blog que compartilha a minha alegria em pedalar. Evidente que não há só alegria, porque sabemos muito bem que o nosso país não valoriza os ciclistas. Melhor dizer: não pensa em todas as pessoas como os pedestres, os cadeirantes e os idosos. Além das experiências de minha vida como ciclista, este espaço trata sobre outros temas, mesmo não tendo relação com a bike. Dou um alerta: o fato de gostar de pedalar não significa que sou especialista nessa temática. Aqui são histórias, opiniões, relatos, o que vier da minha mente e eu julgar interessante de contar. Na primeira postagem deste blog, convido a ler sobre o motivo de se chamar Aquela que pedala. Quem escreve? Sou a Luciana Vieira, tenho deficiência auditiva e moro em Florianópolis/SC. Atuo como assistente administrativa em empresa federal de energia elétrica e, desde 2013, procuro usar a bicicleta para me deslocar ao trabalho. Comunicação Social com habilitação em Jornalismo é a minha formação acadêmica e não exerço a profissão. Sempre gostei de escrever e já tive o prazer de dar uma de escritora em blogs de amigos como o Máquina de Letras. Mais segura em escrever e expor no meio virtual, decidi ter o meu próprio cantinho. E assim Aquela que pedala vem a ser a varanda de meus escritos. Sugestões, opiniões, críticas? Escreva para o e-mail aquelaquepedala@gmail.com

5 comentários Deixe um comentário

  1. Parabéns Luciana, com certeza nós ciclistas fazemos parte da natureza quando estamos fazendo um pedal ,uma trilha e quando o grupo é maior aí fica mais lindo e divertido, sua companhia é sempre muito boa,uma das primeiras a vestir a camisa da BIKETECH FLORIPA e em algumas fotos registradas pelo nosso querido vini elas sempre transmitiram tudo isso que vc relatou ,vc é uma pessoa especial e uma ciclista forte e determinada.

    • Obrigada, Erni!Parabéns pra você também por dar oportunidade de criar grupo de pedal tão bom e de muito companheirismo, e incentivar que a gente pedale cada vez mais e em novos lugares.

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