Serra do Rio do Rastro 5 – Diante de um lugar imponente

Quando soube da oportunidade de pedalar na Serra do Rio do Rastro (SRR) no dia 2 de abril de 2022, os meus olhos brilharam. “Quero ir!” Foi o meu pensamento imediato. Estive pedalando por lá pela última vez em 2017. Muito tempo! Estava na hora de matar a saudade desse lugar magnífico e estonteante com subidas íngremes, curvas fechadas e 1.460 metros de altitude. A pista é de concreto por aproximadamente 12 km e o restante, asfalto.

Porém, havia um empecilho. Não me sentia forte no pedal e nem vinha treinando o suficiente para encarar desafios mais difíceis. Empecilho, disse eu? Pedalei quatro vezes na SRR, já a conheço bem e tenho experiência. Nada de frescura! O meu desejo de pedalar lá era muito forte. Queria curtir a região em tributo a minha irmã Débora que faria aniversário no dia 5 de abril e à amiga Cybelle que partiu no mês passado.

Então, o dia tão ansiado chegou e tudo foi bom demais! Saímos de Floripa de van às 5 horas da manhã, chegamos em Lauro Müller, tomamos café, ouvimos as instruções e começamos o desafio antes das 9 horas. Como eu desejava, fui a última da fila de ciclistas. Eu me sentia eufórica e emocionada, e errei a respiração. Parei numa rua à direita para me recompor e ajustar minha respiração e mente. Dois ciclistas retornaram a minha procura achando que eu havia me perdido no caminho. Não há acostamento na SC 390 e, por isso, entrei numa rua à direita e fiquei fora do campo de visão deles. O Paulo, condutor da van, ao me encontrar, avisou os dois. Quando eles me alcançaram, eu disse que não precisavam me acompanhar, pois iria mais devagar e estava segura por já conhecer a SRR.

Com tempo nublado, fui pedalando tranquilamente, parei em vários trechos para me hidratar e fotografar. À medida que eu subia, o nevoeiro ia aumentando e veio a chuva. Observei que tinha bastante jacatirão no início da SRR e muitas paredes com contenção para não haver deslizamento de terra. Cruzei com muitos caminhões que me deixou mais atenta. Quando pude, preferi parar em desvios da SC 390 e esperar o caminhão passar de mim. A minha preocupação era ser vista pelos motoristas por conta da forte neblina e chuva. Afinal, a SRR é cheia de curvas. Seja subindo ou descendo, os motoristas de veículos de grande porte acabam entrando um pouco na pista contrária. Todos me ultrapassaram com cuidado.

Jacatirão pelo caminho. Foto: Luciana Vieira

“Subindo para o céu eu vou”. “Meu Deus, me ajuda, me dê força”. Frases que mais repetia mentalmente. “Puf, puf, puf…” Subindo fui com atenção e cuidado. Cruzei com dois ciclistas do meu grupo que já desciam e um deles falou que faltava pouco para eu chegar ao topo da SRR. “Hum… Será que é mentira de ciclista?” Por causa do nevoeiro, não era possível ver nada para cima e ter uma ideia de onde eu me encontrava. Subindo devagarzinho, subindo… “Opa, ah! Estou chegando!” Da turma, fui a última a concluir a subida. Muito feliz pela conquista e por não ter precisado empurrar a bike, assim como aconteceu nas quatro vezes anteriores na SRR. O meu trajeto deu 25,92 km com 1.302,4 metros de ganho de elevação. Em comparação às outras vezes que pedalei na SRR, tive o desempenho mais fraco em termos de força, velocidade e tempo. De qualquer modo, não tinha a intenção de superar o meu limite, mas sim apreciar a SRR homenageando Débora e Cybelle, e agradecendo a Deus por elas pertencerem a minha história.

A magnífica Serra do Rio do Rastro. Foto: Vespaparazzi
Motorista se afastando de mim para me ultrapassar com segurança. Foto: Vespaparazzi
Gratidão a Deus: Débora e Cybelle pertencem a minha história. Foto: Vespaparazzi
Subindo para o céu eu vou! Foto: Vespaparazzi
Olha a curva… Puf, puf, puf… Foto: Vespaparazzi

Tomei banho quente e almocei no restaurante Mensageiros da Montanha com a galera toda felizona pela aventura do dia. Todos foram excepcionais completando toda a subida e alguns deles pedalaram a SRR pela primeira vez. Somente três desceram a SRR pedalando. Eu e os demais optamos por voltar de van por segurança. Quando chegamos em Lauro Müller, o tempo estava nublado, sem parecer que havia chovido. Durante a viagem de retorno para Floripa, recebemos a notícia do falecimento de Du Xavier, amigo apaixonado pela bicicleta de enorme sorriso e grande incentivador do ciclismo. Ele também é uma pessoa maravilhosa que faz parte da minha história e agradeço a Deus pela oportunidade de conviver e aprender com ele.

Obrigada, Senhor, por me ajudar a realizar a minha quinta pedalada na SRR em companhia de pessoas queridas e sensacionais. Quero ir de novo, hein!

Organização do pedal: Floripa Bike Club – @floripabikeclub e @fbc_experience

Condução: Vinat Turismo – @vinatturismo

Sabendo mais

Embora o uso do capacete não seja obrigatório no Código de Trânsito Brasileiro (CTB), eu utilizo e recomendo! Afinal, como qualquer veículo de duas rodas, a bicicleta é sujeita a tombos. Graças a Deus, as minhas quedas não envolveram outros veículos. O capacete fez muita diferença, pois evitou me machucar mais, assim como as luvas não deixaram as minhas mãos arranhadas. Utilizo roupas chamativas e capacete para ser vista pelos motoristas e ganhar o seu respeito por me cuidar no trânsito.

Então, incentivo e reforço: use também capacete!

Eu uso capacete! Foto: Luciana Vieira

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E-mail: aquelaquepedala@gmail.com

Instagram: @aquelaquepedala

Serra do Rio do Rastro

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Blog que compartilha a minha alegria em pedalar. Evidente que não há só alegria, porque sabemos muito bem que o nosso país não valoriza os ciclistas. Melhor dizer: não pensa em todas as pessoas como os pedestres, os cadeirantes e os idosos. Além das experiências de minha vida como ciclista, este espaço trata sobre outros temas, mesmo não tendo relação com a bike. Dou um alerta: o fato de gostar de pedalar não significa que sou especialista nessa temática. Aqui são histórias, opiniões, relatos, o que vier da minha mente e eu julgar interessante de contar. Na primeira postagem deste blog, convido a ler sobre o motivo de se chamar Aquela que pedala. Quem escreve? Sou a Luciana Vieira, tenho deficiência auditiva e moro em Florianópolis/SC. Atuo como assistente administrativa em empresa federal de energia elétrica e, desde 2013, procuro usar a bicicleta para me deslocar ao trabalho. Comunicação Social com habilitação em Jornalismo é a minha formação acadêmica e não exerço a profissão. Sempre gostei de escrever e já tive o prazer de dar uma de escritora em blogs de amigos como o Máquina de Letras. Mais segura em escrever e expor no meio virtual, decidi ter o meu próprio cantinho. E assim Aquela que pedala vem a ser a varanda de meus escritos. Sugestões, opiniões, críticas? Escreva para o e-mail aquelaquepedala@gmail.com

4 comentários Deixe um comentário

  1. Parabéns, Lu, por tamanha persistência! Cada dia aprendo mais com você. Deus dispense bênçãos sobre a sua vida! Beijo.

  2. Bom demais ler suas histórias… quando começo a ler, não quero parar. Obrigada querida e que você tenha êxito sempre com Deus ao seu lado.

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