Urubici 9 – Apreciando a vida

A ida a Urubici no feriado de 15 de novembro de 2019 foi de doer o meu coração e quase cair em prantos. Durante a viagem, entrando na SC 110, eu me dei conta de que era a primeira vez que não iria contar ao meu pai sobre a minha aventura de bike. Não iria mais ver as suas reações, opiniões e brincadeiras. Minha amiga Josiane que dirigia o carro se mostrou muito segura e parceira, deixando-me à vontade para soltar as minhas emoções. Aos poucos, fui me acalmando e me confortando com a gratidão em Deus pelo pai que tive nos meus 45 anos de vida.

Pedalar em Urubici me ajudou a amenizar a saudade imensa que tenho de meu pai. O dia estava esplêndido e pedalamos até o Caminho do Invernador, entrando pela SC 110 (Urubici/São Joaquim) e terminando o percurso pela SC 370 (Urubici/Grão Pará). A estrada de terra do Caminho do Invernador parecia ser um tapete por não ter buracos, sendo uma maravilha de rodar nela. Depois fomos à Gruta Nossa Senhora de Lourdes, onde sempre agradeço a Deus e não sei ficar sem chorar. Da gruta, partimos ao centro de Urubici e visitamos o local da prova de bike (enduro) que aconteceu no dia seguinte. Registros do aplicativo Zeopoxa Ciclismo: distância percorrida de 33,05 km com 263 metros de ganho de elevação.

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No Caminho do Invernador. Foto: Luciana Vieira

No sábado, 16 de novembro, resolvemos ir a São Joaquim e levamos as nossas bikes no carro. Foi a primeira vez que estive em São Joaquim e o lugar me lembrou de São Miguel do Oeste, cidade natal de minha mãe. Visitamos e degustamos vinhos de três vinícolas: Villa Francioni, D’alture e Leone di Venezia. Como não conhecíamos São Joaquim, julgamos ser prudente não pedalarmos na região. Assim, tivemos mais tempo para degustar as bebidas e apreciar as belas paisagens de cada vinícola.

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Degustando na Vinícola D’alture. Foto: Luciana Vieira
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A cor do meu traje combinou com as lavandas. Foto: Josiane Ferretti

Na manhã de domingo, 17 de novembro, pedalamos até o Morro do Campestre. Chegando lá, percebemos que a região passou por muitas melhorias. Além da pista estar com concreto, há calçamentos e corrimões no Morro do Campestre. Essas mudanças auxiliam a conter a terra e oportunizam todas as pessoas a curtirem a região com segurança, incluindo aquelas que não possuem condições físicas plenas (como os idosos e os cadeirantes). Pagamos a taxa de R$ 10,00 (dez reais, por pessoa). O valor ficou mais caro em relação à última vez que estivemos no local, mas justo em função das melhorias constatadas no lugar. Para subir o morro, optamos por caminhar e deixamos as bikes sob o cuidado do responsável pelo local. Eu e a Josi permanecemos por bastante tempo contemplando a vista maravilhosa no alto do monte. Registros do aplicativo Zeopoxa Ciclismo: distância percorrida de 17,67 km com 308,3 metros de ganho de elevação.

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Hana: “Será que eu vou junto?” Ela foi de carro e nos encontramos no Morro do Campestre. Foto: Luciana Vieira
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As mudanças no Morro do Campestre. Foto: Luciana Vieira
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Meu canto preferido no Morro do Campestre. Foto: Josiane Ferretti
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A corajosa Josi no alto das pedras do Morro do Campestre. Foto: Luciana Vieira
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Experimentando escalar um pouco. Foto: Josiane Ferretti

Todos os dias foram ensolarados e quentes. À noite, o frio me deu as boas-vindas. Antes de me deitar, curti a fogueira preparada pelo meu amigo. O fogo é algo mágico, não sei expressar bem em palavras. Não estava ali apenas para aquecer o corpo, pois o fogo me fez refletir tudo o que vinha pela minha mente. A sua chama iluminou os meus pensamentos, me fez cantar baixinho. O fogo é como a bike, aquece a vida. Ilumina o que é bom. Apaga o que é ruim.

Até o próximo pedal em Urubici, com a chama de meu viver acesa!

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Urubici praticamente enfeitada com flores amarelas. Um colírio para os meus olhos! Foto: Luciana Vieira
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Com a minha encantadora “sobrinha dog” Hana, sempre nos recepcionando com festa! Foto: Luciana Vieira

Sabendo mais:

Para que haja respeito ao próximo e convivência em harmonia, sempre é bom lembrar, relembrar, reforçar que:

Lugar de bicicleta é na rua (artigo 58 do Código de Trânsito Brasileiro – Lei n. 9.503 de 23 de setembro de 1997) – Quando não há ciclovia ou ciclofaixa, é na rua, não na calçada;

Bicicletas têm preferência sobre veículos automotores (art. 58 – CTB);

Nas conversões, o condutor deve ceder passagem aos pedestres e ciclistas (parágrafo único -art. 38 – CTB);

Ameaçar o ciclista ou pedestre com o carro é infração gravíssima (art. 170 – CTB);

Manter 1 metro e meio centímetros de distância ao passar por um ciclista (art. 201 – CTB) – Mais que isso, melhor ainda! Menos que isso, jamais!

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Gostei desta placa! Educação no trânsito. Foto: Josiane Ferretti

Urubici

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Blog que compartilha a minha alegria em pedalar. Evidente que não há só alegria, porque sabemos muito bem que o nosso país não valoriza os ciclistas. Melhor dizer: não pensa em todas as pessoas como os pedestres, os cadeirantes e os idosos. Além das experiências de minha vida como ciclista, este espaço trata sobre outros temas, mesmo não tendo relação com a bike. Dou um alerta: o fato de gostar de pedalar não significa que sou especialista nessa temática. Aqui são histórias, opiniões, relatos, o que vier da minha mente e eu julgar interessante de contar. Na primeira postagem deste blog, convido a ler sobre o motivo de se chamar Aquela que pedala. Quem escreve? Sou a Luciana Vieira, tenho deficiência auditiva e moro em Florianópolis/SC. Atuo como assistente administrativa em empresa federal de energia elétrica e, desde 2013, procuro usar a bicicleta para me deslocar ao trabalho. Comunicação Social com habilitação em Jornalismo é a minha formação acadêmica e não exerço a profissão. Sempre gostei de escrever e já tive o prazer de dar uma de escritora em blogs de amigos como o Máquina de Letras. Mais segura em escrever e expor no meio virtual, decidi ter o meu próprio cantinho. E assim Aquela que pedala vem a ser a varanda de meus escritos. Sugestões, opiniões, críticas? Escreva para o e-mail aquelaquepedala@gmail.com

8 comentários Deixe um comentário

  1. Belíssima aventura!! Escritora brilhante cuja prosa sempre faz a ciclista que mora em mim querer imitar essas pedaladas!

  2. Mais uma vez surpreendendo Lu! Que texto! Belíssimas fotos! Fiquei com vontade de conhecer as vinícolas também!

  3. Vc como sempre, ótima escritora. Lendo…foi como se revivesse os momentos! Ah os vinhos…mas o blog é sobre pedaladas.kkkkkk
    Vamos pedalar na próxima vez.

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