Urubici 8 – Emoções à flor da pele

De volta ao lugar que tanto gosto de estar, curtir, relaxar, refletir, sorrir, caminhar, pedalar… Saímos de carro de Floripa na manhã ensolarada de quinta-feira do dia 20 de junho rumo à Urubici, onde ficamos no feriadão de Corpus Christi. 

No início da tarde, eu e a Josi fomos pedalar na região bucólica de São Francisco. Tudo ao redor estava belo! Que colírio para os olhos! A Josi exclamou: “Que bergamotas deliciosas!” Minha amiga adora essa fruta e uma gentil moça deixou a gente pegar as tangerinas da árvore de seu terreno. A ideia era irmos até a Vinícola Thera que conhecemos em abril deste ano (veja neste post). Fomos de carro naquela ocasião. Desta vez, de bike. Que frustração! A estrada de terra de São Francisco termina na SC 110…  Achei que dava para ir por esse caminho…  Não estava com vontade de pedalar no asfalto sem acostamento da SC 110. Mesmo assim, subimos uma parte dessa pista até desistirmos da visita à vinícola e descemos de volta a Urubici. Paramos no portal de entrada da cidade a fim de apreciar as estátuas simbolizando a cultura e os costumes de seus moradores. Registros do aplicativo Strava: distância de 31,73 km, ganho de elevação de 539 m e elevação máxima de 1.180 m.

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Tarde esplêndida para pedalar! Foto: Luciana Vieira
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Pedalando na região de São Francisco. Foto: Luciana Vieira
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No portal de entrada de Urubici. Foto: Josiane Ferretti

Na sexta-feira de 21 de junho partimos para o desafio do feriadão: subir o Morro da Igreja. O dia estava muito frio e nos agasalhamos bem. Como a Josi é mais forte do que eu nas pedaladas, disse a ela que não precisava me esperar. Afinal, conhecemos o trajeto e não era a nossa primeira vez no Morro da Igreja. Enquanto eu subia, precisei parar algumas vezes para retirar uma peça de roupa. Como sou calorenta no pedal! Cheguei ao topo do morro usando apenas bermuda e camisa de manga curta! Parecia que eu estava pelada diante de tanta gente agasalhada. Eu tinha saído de casa vestindo calça por cima da bermuda, duas blusas de mangas compridas e uma camisa de manga curta. Muitas pessoas em veículos motorizados passaram por nós dando parabéns e incentivando a continuar subindo de bike. A Josi não tirou as peças de roupa que usava. Incrível! Na descida, eu me agasalhei por causa do ar e vento gelado.

Ah, como é bom pedalar no Morro da Igreja! Apesar de a região estar cheia de obras, nada disso ofuscou o seu brilho e a sua beleza. Quando alcancei o cume, a Josi já me aguardava posicionada para fotografar a minha chegada. Fiquei em êxtase por concluir pela terceira vez a subida do Morro da Igreja. “Oh, glória a Deus!” Permiti a emoção tomar conta de mim. Ela já teimava em me dominar logo que comecei a subir, mas procurei me controlar e equilibrar com a razão. Tão bom conquistar um desafio que eu me propus. A minha rival, concorrente, oponente, inimiga, seja qual for o termo, sou eu mesma. Todos nós somos presos às nossas opiniões, crenças, hábitos, culturas. Sempre peço a Deus a força e a coragem para algo que pode começar em mim e fazer boas escolhas no meu caminhar terreno. Tento aprender com os meus erros e melhorar as minhas dificuldades. Sinto necessidade de sair da zona de conforto. Fugir da rotina e encarar algo novo é ganhar experiências e dar mais sentido e brilho à vida. Ter mais vontade de viver. Odeio “mesmice” e ser escrava do conformismo ou do ficar de “braços cruzados”. Preciso sempre de uma fuga, de uma válvula de escape, de busca incessante pelo saber. Tantas coisas a conhecer e aprender. Apesar de ser minha terceira subida, o Morro da Igreja ainda é desafiador, imponente e encantador para mim. Registros do Strava: distância de 58,13 km, ganho de elevação de 1.338 m e elevação máxima de 1.803 m.

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Obras no Morro da Igreja. Foto: Luciana Vieira
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Morro da Igreja: subindo eu vou! Foto: Luciana Vieira
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Morro de Igreja: contemplando a beleza da região! Foto: Luciana Vieira
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Chegando ao topo do Morro da Igreja, louvado seja Deus! Foto: Josiane Ferretti
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Ao fundo, a famosa Pedra Furada. Foto: Josiane Ferretti
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O outro lado do cume do Morro da Igreja também é belo! Ao fundo, a estrada por onde pedalamos. Foto: Luciana Vieira

No sábado, estávamos ainda cansadas da empreitada do dia anterior e resolvemos fazer um pedal mais leve. Subíamos para a Cascata da Neve e fomos impedidas de continuar por causa da aglomeração de bois e vacas na estrada. Como não havia ninguém por perto cuidando dos animais, retornamos a fim de evitar acidente e pegamos outro lado dos Caminhos do Baiano. Descobrimos que ali há trutas. “Ah, Josi! Que vontade de comer peixe! Vamos, eu quero, quero…” Satisfeitas com as delícias do almoço servido nas Trutas Helio, voltamos para casa sem pressa, sem pressão e curtindo a bela paisagem da região. Registros do Strava: distância de 19,56 km, ganho de elevação de 271 m e elevação máxima de 987 m.

Como sempre fico… Snif, snif, snif… O passeio chegou ao fim e domingo foi o dia de retornar a Florianópolis. Tantos lugares que não conheço ainda. Serra dos Bitus, Cascata do Véu da Noiva, Cânion Espraiado… Eita, Urubici, cheia de encantos naturais, constantemente me convidando para explorar e aventurar, e me deixando com gosto de quero mais!

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Caminhos do Baiano: oba, tem um lugar para comer peixe! Foto: Luciana Vieira
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Trutas Helio: contemplando a arte da região. Foto: Josiane Ferretti
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Ah, Josi, obrigada pela sua companhia e amizade! Foto: Josiane Ferretti

Sabendo mais:

Meu editor predileto… Meu pai! Ele partiu no dia 19 de setembro de 2019 para morar com o nosso Pai Celestial. A separação física dói muito… Tão parceiro! Tão amigo! Tão divertido! Sei que a saudade vai se transformar em doces e belas lembranças. No mundo das letras, sempre contei com o apoio do pai e todos os textos deste blog tiveram a revisão dele. Oh, papai, como gostava de receber os seus pitacos! Este texto não passou mais pelo seu crivo… Graças ao meu amado pai, aprendi a pedalar, a dirigir carro, a respeitar as regras de trânsito, a gostar de ler e escrever, e tantas outras coisas. Obrigada, Senhor, por me dar um pai tão bom para mim e sei que ele está bem melhor no seu lar. Ainda ouço a sua cantoria, a sua bela voz… “Cantarei louvores enquanto eu viver; cantarei louvores ao meu Deus durante a minha vida.” (Salmos 104:33). Aguardo o reencontro em grande festa com muitos cânticos a Deus no céu!

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Tim-tim! Até o porvir! Foto: Luciana Vieira

Urubici

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Blog que compartilha a minha alegria em pedalar. Evidente que não há só alegria, porque sabemos muito bem que o nosso país não valoriza os ciclistas. Melhor dizer: não pensa em todas as pessoas como os pedestres, os cadeirantes e os idosos. Além das experiências de minha vida como ciclista, este espaço trata sobre outros temas, mesmo não tendo relação com a bike. Dou um alerta: o fato de gostar de pedalar não significa que sou especialista nessa temática. Aqui são histórias, opiniões, relatos, o que vier da minha mente e eu julgar interessante de contar. Na primeira postagem deste blog, convido a ler sobre o motivo de se chamar Aquela que pedala. Quem escreve? Sou a Luciana Vieira, tenho deficiência auditiva e moro em Florianópolis/SC. Atuo como assistente administrativa em empresa federal de energia elétrica e, desde 2013, procuro usar a bicicleta para me deslocar ao trabalho. Comunicação Social com habilitação em Jornalismo é a minha formação acadêmica e não exerço a profissão. Sempre gostei de escrever e já tive o prazer de dar uma de escritora em blogs de amigos como o Máquina de Letras. Mais segura em escrever e expor no meio virtual, decidi ter o meu próprio cantinho. E assim Aquela que pedala vem a ser a varanda de meus escritos. Sugestões, opiniões, críticas? Escreva para o e-mail aquelaquepedala@gmail.com

6 comentários Deixe um comentário

  1. Oi Luciana, li com muito prazer o seu texto. Fui uma única vez para Urubici. Lendo o que você escreve, me senti novamente no Morro da Igreja. Me emociono com o seu relato final sobre teu pai. Quantas saudades também tenho dele. Moro tão perto aqui em Blumenau, mas infelizmente não consegui visitá-lo como deveria. Um grande abraço.

  2. Não conheço Urubici,mas amei seu texto,e também vou sentir muita falta de ouvir a voz do seu pai, nos hinos e cânticos da igreja…. Seu pai foi nosso padrinho de casamento…..saudades eternas…

  3. Lu querida,
    Poder lhe acompanhar em suas viagens postadas, é um deleite, sempre é um prazer, inclusive a releitura. As paisagens são minhas conhecidas, acho a região belíssima, no entanto ,você consegue nos envolver com o encantamento de quem vive o momento.
    Mas o grande prazer foi poder acompanhar bem de perto, poder sentir a emoção de estar lá e a cada volta do movimento do pedal a conquista da subida em cada metro de esforço e depois ver que tem um pedacinho de mim na conquista destas paisagens.
    Obrigado pela oportunidade.

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