Nova Trento 4 – Jamais o esquecerei

Quarta vez em Nova Trento. “Quero participar do Pedalatrento de novo”, foi o meu pensamento decisivo. Dias depois, Du Xavier perguntou: “Vamos pedalando de Floripa até Nova Trento?” Este ano não fiz nenhum longo, acima de 50 km, por razões pessoais. Vontade tinha. Mas preparo físico? Então, recusei o convite. Após mais alguns dias, cruzei de bike com a Josi e o Butina. Do outro lado da rua, Josi, também de bicicleta, disparou: “Quer ir comigo pedalando até lá no sábado?” Não é possível… De novo, essa proposta mexendo comigo… “Quero!”

O Pedalatrento em sua sétima edição aconteceu no domingo de 21 de outubro de 2018. Os amigos Du e Butina já foram pedalando na sexta-feira de Floripa até Nova Trento. Eu e a Josi fizemos o mesmo no dia seguinte.

A Josi conhecia o trajeto e me tranquilizou dizendo que iríamos em ritmo leve, sem pressa.  Eu tinha participado de um pedal em setembro de 2016 em sentido contrário, ou seja, de Nova Trento a São José.  Então, consultei o aplicativo Strava que mostrou todo o trajeto percorrido. Quando chegou a Nova Trento, o Du compartilhou o percurso dele e nos deu várias dicas.

Antes da empreitada, passei a semana empolgada e com um frio na barriga, me preparei psicologicamente e organizei as coisas a serem levadas comigo. A Iza, amiga nossa, levou outra parte de nossas coisas no carro. Examinei a bike todos os dias. Eu e a Josi nos encontramos no trapiche da beira-mar norte na manhã de sábado, com um sol radiante e clima agradável. Após algumas fotos, partimos! Quando já estávamos na parte continental de Floripa, tivemos um baita susto. Sempre procuramos pedalar em ruas mais seguras e com menos veículos. Em determinado trecho e não havendo outra opção, fomos pela avenida principal. O trânsito fluía tranquilamente, mas… Josi ia a minha frente, quando um motorista deu uma fina nela para entrar num supermercado. Ela conseguiu evitar a queda. Urrei contra o motorista. Francamente… Que decepção ver as pessoas não terem consideração pelo seu próximo. O susto e a indignação (principalmente a minha) passaram e continuamos com a nossa pedalada. Como conhecia mais o trajeto, a Josi parava para me instruir o que vinha adiante. Que parceira atenciosa e querida! A partir do bairro Sorocaba do Sul, da cidade de Biguaçu, percorremos sempre pelo interior, evitando pegar a rodovia estadual. Fomos a maior parte do passeio na pista que mais gosto: estrada de terra!

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Ponto de encontro no trapiche da beira-mar norte de Floripa.

Cada canto lindo… Que espetáculo da natureza! Eu me sentia muito feliz. Afinal, estava com uma saudade absurda de fazer um cicloturismo, de pedalar o dia todo. Paramos em alguns pontos para hidratação, lanche e fotografia. Quando batia uma incerteza do trajeto, perguntávamos às pessoas que encontrávamos pelo caminho. Almoçamos no Comércio Edgar, no mesmo local onde os rapazes estiveram no dia anterior. A Josi iria apenas lanchar, mas eu optei por um almoço. Queria comer bem. Para meu espanto, o restaurante trouxe muita comida pra mim. “Ai, Josi, me ajuda aqui…” A quantidade de cada prato de comida dava para consumo de até três pessoas. Almoço delicioso! Recomendo o lugar! Ficamos duas horas lá.

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Matando a saudade absurda de um pedal longo! Foto: Josiane Ferretti
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Pausa para hidratação e contemplar mais a beleza do lugar. Foto: Josiane Ferretti
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Muita e muita comida deliciosa! Foto: Josiane Ferretti

No período da tarde, o sol ficou mais entre as nuvens. Continuamos o pedal contemplando muitas belezas pelo caminho. O nosso passeio passou pelo interior das cidades de Biguaçu, Tijucas, Canelinha, São João Batista até chegar a Nova Trento. O rio Tijucas foi a nossa referência na maior parte do trajeto. Cruzamos com muitos caminhoneiros, pois há obras na região. Como não choveu dias antes, levantava muita poeira toda vez que um veículo passava por nós. Mesmo mantendo a boca fechada, sentia o gosto da poeira. Eca! Chegamos a Nova Trento por volta das 16h30 e ficamos hospedadas na casa dos pais da Iza. Fomos muito bem recebidas por eles. Terminei o pedal do dia feliz da vida! Segundo o aplicativo Strava, fizemos 87,4 km de distância com 635 metros de ganho de elevação e eu não me sentia cansada. Procurei me relaxar, pois sabia que o Pedalatrento tinha subidas mais difíceis, mesmo sendo em trajeto mais curto. Dormi bastante e acordei disposta para o desafio de domingo.

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Na pista que mais gosto: estrada de terra. Foto: Josiane Ferretti
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Paróquia de São João Batista. Foto: Luciana Vieira
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Chegamos em Nova Trento! Foto: Luciana Vieira

Tomamos um delicioso café da manhã e fomos pedalando até o local de encontro do Pedalatrento. Este ano contou com novidades. Além do passeio de bike de domingo, houve o desafio de subir o Morro da Cruz correndo ou pedalando no sábado de tarde. Domingo também fez tempo bom, mas o sol apareceu menos. Em alguns momentos, teve chuvisco. Amarelei em algumas descidas longas. Senti um pouco de tontura e medo de cair da bicicleta. O interessante é que eu já desci nos mesmos trechos no ano passado. O que deu em mim, hein? Briguei comigo mesmo. No fim, optei por andar empurrando a bike, pois não consegui colocar a minha mente em ordem. Evidente que minha queda numa descida em Urubici me assombra. Fiquei um pouco frustrada. Mas vamos lá! Nos demais trechos que tinham descidas, consegui encarar numa boa. Afinal, eram estradas mais largas e me senti segura. Apesar de minha falha mental, nada disso tirou o brilho do passeio. Terminamos o pedal com um almoço saboroso no Sítio Vita Sul Monte, que fica no início da subida do Morro da Cruz. Conforme o Strava, a distância foi de 31,6 km com 510 metros de ganho de elevação. Retornamos de van para Floripa com um sorriso largo no rosto.

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Ponto de encontro para o Pedalatrento. Foto: Du Xavier

Já sonho em ir pedalando de novo até Nova Trento em 2019. Sonhar é viver! No dia seguinte, segunda-feira, ainda estava em êxtase pelo fim de semana maravilhoso. Emocionada, só agradecia a Deus. Tranquei a bicicleta no bicicletário da empresa onde trabalho. Quando me dirigi ao armário do banheiro, levei um susto. Esqueci-me da chave! “Como vou pegar as minhas coisas para tomar banho? Ahhhh…” O jeito foi secar o meu suor com papel toalha e usar a mesma roupa. “Ainda bem que vim de calça!” Sentei na minha mesa de trabalho, conversei com a minha colega e… “Ah, não… Esqueci também das chaves dos meus dois cadeados que protegem a bike!” Não queria deixá-la na empresa e nem voltar para casa de ônibus no final do expediente por causa do trânsito horroroso de Floripa. Assim, fui pra casa de ônibus no intervalo do almoço só para pegar as chaves. Porém, nada disso tiraram o sorriso e o brilho de meus olhos com o pedal em Nova Trento. Jamais o esquecerei…

 

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Blog que compartilha a minha alegria em pedalar. Evidente que não há só alegria, porque sabemos muito bem que o nosso país não valoriza os ciclistas. Melhor dizer: não pensa em todas as pessoas como os pedestres, os cadeirantes e os idosos. Além das experiências de minha vida como ciclista, este espaço trata sobre outros temas, mesmo não tendo relação com a bike. Dou um alerta: o fato de gostar de pedalar não significa que sou especialista nessa temática. Aqui são histórias, opiniões, relatos, o que vier da minha mente e eu julgar interessante de contar. Na primeira postagem deste blog, convido a ler sobre o motivo de se chamar Aquela que pedala. Quem escreve? Sou a Luciana Vieira, tenho deficiência auditiva e moro em Florianópolis/SC. Atuo como assistente administrativa em empresa federal de energia elétrica e, desde 2013, procuro usar a bicicleta para me deslocar ao trabalho. Comunicação Social com habilitação em Jornalismo é a minha formação acadêmica e não exerço a profissão. Sempre gostei de escrever e já tive o prazer de dar uma de escritora em blogs de amigos como o Máquina de Letras. Mais segura em escrever e expor no meio virtual, decidi ter o meu próprio cantinho. E assim Aquela que pedala vem a ser a varanda de meus escritos. Sugestões, opiniões, críticas? Escreva para o e-mail aquelaquepedala@gmail.com

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