Pátria amada

Depois de muito tempo sem pedalar por trajetos longos, retornei ao pedal no feriado de 7 de setembro de 2018, dia em que comemoramos a Independência do Brasil. Dia ensolarado aqui no Desterro, próprio para passeios, mas também de reflexões e questionamentos. Será que temos motivos para comemoração? Somos independentes da corrupção? Do egoísmo? Estamos longe de respeitar o próximo? Existe bom senso em nosso ser? A nossa pátria é amada? Idolatrada, salve, salve?

O caminho que eu e a minha amiga Fernanda escolhemos foi pedalar até o Sambaqui, na região norte de Florianópolis. Para nossa surpresa e alegria, nos saímos muito bem durante todo o trajeto. Nenhum morro nos fez descer para empurrar a bicicleta. Percorremos sem pressa e sem pressão. Curtimos cada momento do passeio. Porém, tivemos duas decepções. Eu ia à frente de Fernanda pelo lado direito da rua (como manda o Código de Trânsito Brasileiro – Lei n. 9.503 de 23 de setembro de 1997, no artigo 58, quando não há ciclovia ou ciclofaixa) e levei duas finas. Após passar por uma ponte, um motorista de carro quase me encostou e parou bruscamente em minha frente e em cima da calçada. Percebi pela janela do veículo que o motorista olhava o celular ao lado de uma mulher. Quase o encarei soltando o meu verbo. “Calma, Lu… Se o cara for um doido e piora a situação? Com uma faca ou arma?” Minha amiga gritou: “Que absurdo!” Não demorou muito para eu receber mais uma fina de outro motorista. Por muito pouco não me atropela e ainda por cima cortou minha frente entrando numa rua à direita. “Cuidado, hein!”, gritei. O trânsito estava tranquilo, sem congestionamento.  E se eu caísse da bike ou batesse nos carros?  E se os motoristas estivessem em alta velocidade ao darem uma fina? Gratidão a Deus por nos proteger e nos acalmar! Os comportamentos desses seres humanos me fizeram perguntar se o Brasil tem jeito para melhorar, de sair do fundo do poço. Mesmo que não haja educação no país, deveria haver bom senso, não é mesmo?

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Pausa em Santo Antônio de Lisboa. Foto: Luciana Vieira

Sei que em muitas cidades brasileiras não há educação no trânsito. As pessoas agem como se não existisse a legislação do trânsito e placas de sinalização ou de orientação. Fazem do jeito que elas querem. Sei também que se considera Floripa um dos lugares brasileiros onde há mais respeito na rua… Francamente! Tem muito que melhorar… Ah, Brasil… Que país caótico! Que bagunça! Que decepção! Não apenas no trânsito, mas em todas as esferas sociais, como na educação, na saúde, na segurança, na moradia… O meu desejo de sair do país é grande. Ao mesmo tempo, sinto que estou traindo o Brasil. É meu dever e de todos contribuírem para o bem do país. De colocar em ordem e favorecer o progresso. Está escrito isso na bandeira. Meu sentimento é ambíguo. Pátria amada? Amo, mas quero deixá-la? Que conflito em meu coração… Que confusão em minha mente! Porém, há uma planta em meu ser que se chama esperança. Dias melhores virão?  Espero que novos governantes ajeitem os erros do país. “Vão ajeitar?”, diz minha amiga. Pois é…

Gosto muito do Hino Nacional Brasileiro e da bandeira do Brasil com suas cores e dizeres de “Ordem e Progresso”. Já teve pessoas que quiseram mudar o hino e a bandeira. Pra quê? Precisamos urgentemente de ordem e progresso. Precisamos de cada palavra do hino transformada em ação e hábito. Nos tempos de colégio, havia momentos cívicos. Hasteávamos as bandeiras do município, do estado e do país. Cantávamos o Hino Nacional. Tive disciplinas que adorava como Educação Moral e Cívica e OSPB (Organização Social e Política Brasileira). Seus filhos têm essas matérias na escola? Eles têm momentos cívicos de hastear as bandeiras e cantar o hino no colégio? As empresas deveriam também ter essas atividades cívicas…

Já se perguntaram nas redes sociais se o Brasil morre no último capítulo da Constituição de 1988. Qual a sua opinião? Importante ler toda a legislação e tirar a sua própria conclusão. Saber disso não é tarefa só dos advogados, dos juristas. Todos devem usar e consultar a Constituição e suas emendas. Quando tinha 14 anos de idade, meu pai me mostrou um pequeno livro que eu deveria ler. Somente trinta anos depois, consegui ler todos os itens da Constituição. Chorei por ver tantas coisas que não são cumpridas. Também fiquei indignada. Como pode favorecer tanto o criminoso? Vi os nomes dos políticos que contribuíram na elaboração da Constituição e muitos deles hoje são acusados ou presos por corrupção…  Em minha opinião, a legislação precisa ser alterada. Caso contrário, o Brasil pode morrer. Por favor, leia a Constituição de 1988, seja por meio da internet ou por livro físico. Leitura chata, mas necessária.

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Vamos ler e consultar a nossa Constituição! Foto: Luciana Vieira

Outra coisa… Os brasileiros costumam idolatrar os políticos, os artistas, os esportistas… Que é isso, minha gente? Eles não são deuses, nem perfeitos e nem salvadores da pátria. Parem com isso. Olhem para eles como seres humanos que têm uma tarefa a cumprir, assim como você e eu. Salvar o país é responsabilidade de todos, seja como governante, professor, médico, policial, limpador de vidros, vendedor, sapateiro e tanto outros ofícios e outras profissões.

Por favor, não me decepcione tanto, Brasil. Que haja mais alegrias. Que haja mais acertos em nossas atitudes e ações. Respeito, amor, honestidade, sinceridade, humildade… Esses valores vivem em nós? Garra, coragem, esperança? “Paz no futuro e glória no passado”, diz um trecho do Hino Nacional. O que estamos fazendo hoje? Pátria amada? Idolatrada, salve, salve?

“Ouviram do Ipiranga as margens plácidas de um povo heroico o brado retumbante…” Que sejamos heróis de caráter. Brademos com fervor por um Brasil melhor. Trabalhemos com braço forte por um futuro de paz aos nossos descendentes. Creio que somente assim poderemos pedalar felizes por esse belo país “ao som do mar e à luz do céu profundo”.

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Pausa em Cacupé. Que haja dias melhores no Brasil… Foto: Luciana Vieira

Reflexões

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Blog que compartilha a minha alegria em pedalar. Evidente que não há só alegria, porque sabemos muito bem que o nosso país não valoriza os ciclistas. Melhor dizer: não pensa em todas as pessoas como os pedestres, os cadeirantes e os idosos. Além das experiências de minha vida como ciclista, este espaço trata sobre outros temas, mesmo não tendo relação com a bike. Dou um alerta: o fato de gostar de pedalar não significa que sou especialista nessa temática. Aqui são histórias, opiniões, relatos, o que vier da minha mente e eu julgar interessante de contar. Na primeira postagem deste blog, convido a ler sobre o motivo de se chamar Aquela que pedala. Quem escreve? Sou a Luciana Vieira, tenho deficiência auditiva e moro em Florianópolis/SC. Atuo como assistente administrativa em empresa federal de energia elétrica e, desde 2013, procuro usar a bicicleta para me deslocar ao trabalho. Comunicação Social com habilitação em Jornalismo é a minha formação acadêmica e não exerço a profissão. Sempre gostei de escrever e já tive o prazer de dar uma de escritora em blogs de amigos como o Máquina de Letras. Mais segura em escrever e expor no meio virtual, decidi ter o meu próprio cantinho. E assim Aquela que pedala vem a ser a varanda de meus escritos. Sugestões, opiniões, críticas? Escreva para o e-mail aquelaquepedala@gmail.com

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