Superando os 100 km

Eu estava cada vez indo mais longe e me desafiando até que ponto aguento pedalar sem sofrer demais. Dois eventos chamaram a minha atenção e eram de trajetos de mais de 100 km em um dia. Ainda não havia ultrapassado 100 km de pedal e encontrei as oportunidades na Volta à Ilha de 150 km e no Audax Floripa de 200 km.

Volta à Ilha de 150 km

Além do desejo de ultrapassar 100 km de pedal, havia trechos de Florianópolis, como o Rio Vermelho, que eu ainda não tinha percorrido de bicicleta. O evento foi organizado pela equipe do Espírito Livre – Caçadores de Aventura e optei por participar do grupo de nível leve. No dia anterior ao passeio, choveu bastante e forte em Florianópolis. A previsão do tempo informava que o sábado de 26 de março de 2016 seria ensolarado e quente. Muitas pessoas duvidaram disso, mas a previsão foi acertada. De qualquer modo, saí de casa preparada para encarar a chuva, o frio, o vento e o calor. O dia amanheceu nublado e com temperatura agradável. Quando fizemos a parada na Praia do Campeche, tirei a camisa de manga longa, pois o calor já predominava.

Durante todo o passeio havia pausa para hidratação e alimentação. Quando estávamos subindo o morro antes da Praia Mole, o ciclista em minha frente parou de repente gritando de dor. Ele teve câimbra em uma das pernas e logo o socorri. Na sequência, os seus amigos o auxiliaram e todos nós conseguimos prosseguir o pedal.

Houve muitas falhas dos guias que nos acompanharam no passeio, pois eles não estavam junto da gente em boa parte do tempo. Faltou mais preparo aos guias que por incrível que pareça demonstravam não conhecer plenamente o percurso que tínhamos a percorrer. Outro problema foi com os banheiros químicos móveis. Eu odeio usá-los e sempre tenho a sensação de que vou vomitar ou desmaiar. Então, eu procuro ir aos banheiros dos comércios que encontro no caminho ou esvazio a minha bexiga no meio do mato. Quando fizemos uma pausa na Praia do Jurerê Internacional, não havia comércio próximo e nem mato. Assim, precisei usar o banheiro químico móvel… Entrei… Eca, que cheiro ruim! Socorro! “Luciana, aguenta!” “Chega de frescura!” Queria fazer bem rápido a minha necessidade fisiológica, mas não conseguia… Lutei para não vomitar e nem desmaiar. Além disso, o banheiro estava muito quente. Nem sei como sobrevivi… Saí cambaleando e avisei a moça que aguardava usar o banheiro para não entrar. Ela me informou que os outros banheiros apresentavam a mesma situação. Fui andando devagar até onde o pessoal fazia lanche. Contei o ocorrido e tratei de me alimentar bem. Soube depois que houve problema na higienização dos banheiros químicos na parada do Jurerê Internacional. Como fui sortuda, hein!

Graças a Deus, pude continuar o pedal até o destino final que era no trapiche da beira-mar norte, no mesmo ponto de onde iniciou o passeio. O melhor de tudo é que não empurrei a bike em nenhum momento! Ai, como fico feliz com essa conquista!

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A Volta à Ilha começou pela região sul. Foto: Foco Radical
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Na Rua Vereador Osni Ortiga, na Lagoa da Conceição. Foto: Foco Radical
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Quase perto do destino final e já comemorando a conquista do dia. Foto: Foco Radical

Audax Floripa

É uma prova de resistência a cumprir em determinado tempo. Hoje há Audax de 200, 300, 400, 600, 1000 e 1200 km. No caso do percurso de 200 km, o pedal começa às 6 horas da manhã com prazo de concluir até às 19h30. Cada Audax oferece o desafio em trajeto menor. No caso de 200 km, havia o desafio de 50 km e o de 100 km. O Audax não tem guias e nem carro de apoio. O ciclista não pode receber ajuda de quem não participa do evento e precisa saber se virar com os problemas que surgirem na bicicleta e no caminho. A única ajuda aceita é dos próprios ciclistas participantes do evento. Diante desses fatores, optei pelos 100 km de percurso. Veja como é o seu conceito no site do Audax Floripa:

Criado na França em 1904 por Henri Desgrange, o Audax se define como uma prova de regularidade, resistência e união, já que exclui permanentemente qualquer conceito de competição. Trata-se de uma prova de superação em que o mais forte ajuda os outros a atingir seu objetivo principal, que é percorrer quilometragem do percurso determinado pela organização dentro de seu prazo máximo para conquistar o Brevet daquela distância.

Eu esperava que o clima no mês de abril de 2016 viria com temperatura amena. Mas o domingo do dia 24 estava quente demais. Muito mais quente que o dia da Volta à Ilha de 150 km! Dormi na casa da minha amiga Elisa por ser próxima da loja Della Bikes, local do início e término do pedal.  No dia anterior, buscamos o kit de participação e recebemos as instruções de como seria o Audax. Conhecemos um grupo simpático de ciclistas gaúchos e aceitamos em ir com eles no dia da prova.  A Elisa nos conduziu na frente e eu fechei o pelotão.

Antes das 6 horas da manhã, já estávamos na loja Della Bikes, pois as bicicletas iam passar por vistoria antes da prova. As primeiras horas da manhã foram os meus melhores momentos. Eu curti muito pedalar na avenida da beira-mar norte, na ponte Colombo Salles e na beira-mar continental. Foi emocionante passar por onde o tráfego é permitido somente para os veículos motorizados. Havia dois postos de controle no desafio de 100 km, onde apresentamos o passaporte para registro obrigatório de passagem. O prazo de término de 100 km era até às 13h30.

Quando os raios solares ficaram mais fortes, passei a ter dificuldade de pedalar. Fizemos várias paradas para hidratação. Graças a Deus, consegui concluir sem empurrar a bike! A parte mais difícil do pedal foi subir o Morro da Lagoa por volta das 12 horas, quando o calor estava infernal com sol de rachar o corpo. Chegamos ao nosso destino às 13h06, bem perto do prazo final. Ufa! Comemoramos o nosso feito e ficamos por ali até o fim do dia. Lanchamos, papeamos e vibramos com a aproximação dos ciclistas de 200 km.

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Após passar pela passarela da ponte Pedro Ivo Campos, início do pedal pelo lado sul da Ilha. Foto: Divulgação
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Ufa, não foi fácil!

Resultados

  1. As minhas mãos e os meus pés passaram a ficar dormentes em pedais com percurso mais longo. Isso aconteceu na Volta à Ilha e no Audax, atrapalhando bastante o meu desempenho. A fim de solucionar esse problema, fui fazer o Bike Fit com o Júlio Fernandes. A bicicleta deve ser adequada ao porte do ciclista para que ele não sofra desgastes físicos. O Júlio realizou vários ajustes na bike de acordo com o meu corpo e objetivo. O meu perfil predominante é o de ser cicloturista. Isso dá para perceber nos meus escritos neste blog, não é mesmo? Recomendo fazer o Bike Fit, pois no meu caso não tive mais dormências nas mãos e nos pés. O contato do Júlio Fernandes é (48) 9955-8709 (com whatsapp);
  2. Conheci mais ainda a cidade de Florianópolis nesses dois eventos que participei. Como faço muitos pedais com amigos por aqui, não vale mais a pena pagar por passeios na cidade onde moro. Agora só “ponho a mão no bolso” para custear eventos em outras localidades;
  3. Durante o desafio de 100 km do Audax, é preciso ficar atento ao horário. Não gostei de ficar olhando várias vezes para o relógio do celular a fim de não perder o prazo final que era até às 13h30. Preciso aprender a desenvolver uma velocidade média durante o percurso que me permita terminá-lo sem estresse. De qualquer forma, acredito que não tenho perfil para participar do Audax. No entanto, gosto de desafiar a mim mesmo. Não sei… Não vou dizer que não participo mais do Audax, pois Luluzinha pode mudar de ideia.

Audax Outros lugares

Luciana Vieira Visualizar tudo →

Blog que compartilha a minha alegria em pedalar. Evidente que não há só alegria, porque sabemos muito bem que o nosso país não valoriza os ciclistas. Melhor dizer: não pensa em todas as pessoas como os pedestres, os cadeirantes e os idosos. Além das experiências de minha vida como ciclista, este espaço trata sobre outros temas, mesmo não tendo relação com a bike. Dou um alerta: o fato de gostar de pedalar não significa que sou especialista nessa temática. Aqui são histórias, opiniões, relatos, o que vier da minha mente e eu julgar interessante de contar. Na primeira postagem deste blog, convido a ler sobre o motivo de se chamar Aquela que pedala. Quem escreve? Sou a Luciana Vieira, tenho deficiência auditiva e moro em Florianópolis/SC. Atuo como assistente administrativa em empresa federal de energia elétrica e, desde 2013, procuro usar a bicicleta para me deslocar ao trabalho. Comunicação Social com habilitação em Jornalismo é a minha formação acadêmica e não exerço a profissão. Sempre gostei de escrever e já tive o prazer de dar uma de escritora em blogs de amigos como o Máquina de Letras. Mais segura em escrever e expor no meio virtual, decidi ter o meu próprio cantinho. E assim Aquela que pedala vem a ser a varanda de meus escritos. Sugestões, opiniões, críticas? Escreva para o e-mail aquelaquepedala@gmail.com

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