Vale dos Vinhedos

Rio Grande do Sul é o primeiro estado brasileiro que fiz cicloturismo fora de Santa Catarina. O roteiro escolhido foi o Vale dos Vinhedos, organizado pela empresa Caminhos do Sertão. Por não ser muito longe de onde moro e ser apreciadora de vinhos foram os principais motivos que me levaram até a região gaúcha de Bento Gonçalves.

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Pedal pelo Vale dos Vinhedos. Foto: Pilar Alejandra

Como a sede da Caminhos do Sertão fica aqui em Florianópolis, a equipe levou a minha bicicleta e a de minha amiga Pilar junto com as outras que foram alugadas. Fomos de avião até Porto Alegre, ponto de encontro dos cicloturistas oriundos de diversas partes do Brasil. Éramos cerca de 30 pessoas ávidas por pedalar na serra gaúcha nos dias 06 a 09 de fevereiro de 2016, exatamente no período do carnaval. Em minha opinião, pedalar é muito melhor que carnaval! Do aeroporto, fomos de van até o Dall`Onder Grande Hotel, local de nossa hospedagem em Bento Gonçalves. É um hotel preparado para receber ciclistas, inclusive aluga suas bicicletas aos hóspedes. Do hotel, partimos para o restaurante Nona Ludia, onde tivemos um delicioso almoço num casarão enorme de pedra. Ali fiquei frustrada por descobrir uma falha na minha máquina fotográfica. Precisei me contentar com a câmera de meu celular (sim, há muitas câmeras boas de celular, mas não era o meu caso). Ah, como fiquei chateada! E também com raiva! No entanto, fui salva pela minha amiga Pilar com a câmera excelente de seu celular.

Depois do almoço cheio de delícias, as nossas bicicletas já estavam a nossa disposição. Quando comecei a pedalar, houve uma explosão de emoções. Quase sempre acontece isso comigo. “Lu, recomponha-se!”. Logo as emoções foram controladas e pedalei com atenção e, ao mesmo tempo, encantada com o que via pelo caminho. Nesse primeiro dia, fizemos o pedal pelos Caminhos de Pedra e paramos para conhecer a Casa da Ovelha e a Casa da Erva Mate. Havia trechos de terra e de asfalto em trajeto de 14 km. No final do dia, encaramos muitas subidas antes de chegar à Vinícola Don Giovanni, no município de Pinto Bandeira. Assim que adentramos na propriedade, fomos recepcionados com taças de espumante! Conhecemos todos os espaços da vinícola e ouvimos a sua história. Houve degustação de vinhos… Hummmm… Ainda bem que não voltamos pedalando! Retornamos de van ao hotel em Bento Gonçalves. No jantar, eu e minha amiga escolhemos comida japonesa na mesma rua do hotel. Ah, que jantar maravilhoso na Yoko Oriental Lounge!

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Depois de várias subidas, um merecido brinde na Vinícola Don Giovanni.

No segundo dia, fizemos o pedal pelo Vale dos Vinhedos. Tive dificuldade de pedalar nas trilhas pelos parreirais por causa de pedras grandes soltas. Pedalamos até a propriedade da Famiglia Tasca, onde o visual do lugar é espetacular. A família tem um museu mostrando a sua bela história de luta e união. Além de fotografias, há também peças antigas utilizadas por diferentes gerações da família. Na sequência, tivemos um saboroso lanche e eu consegui até tirar um cochilo na grama do lugar. De lá, pedalamos até chegar à Vinícola Laurentis, onde também degustamos seus vinhos e voltamos ao hotel de van. O percurso desse dia foi de 27 km de pedal, sendo a maior parte em estrada de terra. Para o jantar, a maioria dos ciclistas escolheu ir até a Casa Valduga. Uau, que lugar e que delícia de comer e de beber!

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Como é bom encontrar as flores pelo caminho! Foto: Luciana Vieira
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Na Vinícola Laurentis. Foto: Pilar Alejandra
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Concordo! Frase na Casa Valduga. Foto: Luciana Vieira
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Saúde! Na Casa Valduga. Foto: Pilar Alejandra

No terceiro dia, fomos de van até a cidade de Nova Roma do Sul, ponto de partida do pedal pelo Vale do Rio das Antas e Vinhos de Montanha. Foram dias quentes de pedal, mas o terceiro dia bateu recorde de calor. Paramos para lanchar próximo à ponte de ferro do lugar. Nesse intervalo, senti tontura em função do forte calor. No período da tarde, iríamos encarar o morro, em estrada de terra, mais difícil dos quatro dias de pedal. Os guias nos orientaram que quem desistir de pedalar durante a subida, poderia encostar a bicicleta no caminho e continuar a caminhar se assim desejar. As bicicletas deixadas pelo caminho foram recolhidas pelos guias e colocadas na van. Pensei: “vou tentar subir tudo!”. Fui subindo, subindo, subindo… Algumas pessoas iam colocando as bikes no chão. Subindo eu fui, subindo, subindo… “Não dá, não consigo mais… Muito calor! Estou exausta… Desisto!”. Quando pedalar não é mais um ato de diversão e passa a ser um sofrimento, é hora de parar. Estava me castigando sem curtir o lugar e não sabia se teria outra oportunidade de estar ali. Então, era hora de caminhar! Junto de outros ciclistas, fui caminhando, caminhando, caminhando… “Ah, que belo visual!”. Ficamos curiosos em saber se alguns de nós conseguiríamos completar a subida. A minha memória já não me ajuda mais… Acho que foram uns cinco homens que concluíram a subida. Todos foram muito aplaudidos por nós! Terminamos o passeio de 28 km de pedal na Vinícola Valmarino, localizada na cidade de Pinto Bandeira. O proprietário fez questão de contar a história do lugar e o processo de fazer diferentes tipos de uva se transformar em vinho. Também degustamos diversos vinhos e retornamos ao hotel de van. À noite, eu e a Pilar queríamos novamente a comida japonesa, mas a Yoko Oriental estava lotada de clientes… Assim, nós e mais três amigos terminamos a última refeição do dia com pizza.

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Terceiro dia muito quente! Ufa, um pouco de frescor!
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As maravilhas refrescantes da natureza!
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Pausa para almoço ao ar livre, junto à ponte de ferro. Foto: Luciana Vieira

No quarto e último dia, fomos de van até a Vinícola Don Laurindo. Também conhecemos a sua história e degustamos os seus vinhos. Diferentemente dos outros dias, o pedal começou após a visita na vinícola e, assim, foi preciso moderar na apreciação de vinhos. Dali partimos pedalando pela Estrada do Sabor e… Coisa boa! Chuva! Viva! Ela me fez muito bem no dia de muito calor! Pedalamos até a Osteria della Colombina, onde almoçamos. O trajeto desse dia resultou em 17 km. O passeio chegou ao fim… Snif, snif! Fiquei triste pelo “já acabou” e, ao mesmo tempo, alegre pelos dias maravilhosos de bicicleta.

De volta em Porto Alegre, visitei um casal de amigos com uma filha pequena antes de retornar para Florianópolis. Deus tem me dado muitas alegrias por meio da bicicleta e quero continuar pedalando também em outros estados do Brasil e fora do país. Que minha primeira viagem internacional seja de pedalar em algum lugar da Europa! E também desejo pedalar por vários dias. Até o momento, quatro dias de cicloturismo é o meu recorde. Eu quero pedalar, pedalar, pedalar!

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Bike e uvas, a dupla que adoça a minha vida! Foto: Luciana Vieira

 

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Blog que compartilha a minha alegria em pedalar. Evidente que não há só alegria, porque sabemos muito bem que o nosso país não valoriza os ciclistas. Melhor dizer: não pensa em todas as pessoas como os pedestres, os cadeirantes e os idosos. Além das experiências de minha vida como ciclista, este espaço trata sobre outros temas, mesmo não tendo relação com a bike. Dou um alerta: o fato de gostar de pedalar não significa que sou especialista nessa temática. Aqui são histórias, opiniões, relatos, o que vier da minha mente e eu julgar interessante de contar. Na primeira postagem deste blog, convido a ler sobre o motivo de se chamar Aquela que pedala. Quem escreve? Sou a Luciana Vieira, tenho deficiência auditiva e moro em Florianópolis/SC. Atuo como assistente administrativa em empresa federal de energia elétrica e, desde 2013, procuro usar a bicicleta para me deslocar ao trabalho. Comunicação Social com habilitação em Jornalismo é a minha formação acadêmica e não exerço a profissão. Sempre gostei de escrever e já tive o prazer de dar uma de escritora em blogs de amigos como o Máquina de Letras. Mais segura em escrever e expor no meio virtual, decidi ter o meu próprio cantinho. E assim Aquela que pedala vem a ser a varanda de meus escritos. Sugestões, opiniões, críticas? Escreva para o e-mail aquelaquepedala@gmail.com

6 comentários Deixe um comentário

  1. Adoro ler suas histórias, seus passeios, sua energia, seu amor pela bike, pela vida, pela natureza. PARABÉNS!!! Beijos.

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