Morro da Cruz

Grande parte da minha vida não pedalei em morros altos. Joinville, cidade onde nasci, é plana e quase não tem morros. Porém, naquela época não fazia trajetos longos. Foi em Florianópolis que comecei a ir mais longe, principalmente após adotar a bicicleta como meio de transporte para o trabalho. E na capital de Santa Catarina não tinha escapatória! O lugar é cheio de morros!

Quando ainda pedalava sozinha em algum canto de Florianópolis, subia as ruas. Às vezes, um morro me fazia descer da bicicleta e passava a empurrá-la para continuar o trajeto. Mesmo hoje mais experiente em subidas, acontece de eu empurrar, principalmente em situações como de muitas pedras soltas, de ruas estreitas com muitos veículos passando ao meu lado ou de simplesmente “eu não aguento mais”.

A dica mais valiosa que recebi e levei em consideração: gostar de morros! Qual é a graça de subir? Ter uma visão esplêndida a partir do cume de uma região! Quando estou no topo do lugar, de fato, não há como deixar de se encantar com o que se vê!

Como fui melhorando o meu pedal nas subidas? Com o Morro da Cruz! Fica na região central de Florianópolis, possui altitude de 285 metros e para pedalar até o mirante são aproximadamente 3 km. Muita gente que pedala me perguntava: você já subiu o Morro da Cruz? Não… Morro da Cruz sempre é tema de conversa entre os ciclistas. Há um grupo com um nome bem interessante no Facebook: Nesse Morro Eu Não Morro! Assustador e, ao mesmo tempo, desafiante e fascinante! Morro da Cruz estava me chamando…

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Até que um dia surgiu a oportunidade e, principalmente, a coragem!  Fiquei também confiante com a aquisição de uma bicicleta de 27 marchas, oferecendo mais possibilidades de se ter um bom desempenho. Com um grupo, lá fui eu. Não devia ter levado a mochila. Hoje evito usá-la para não ter peso nos ombros e nem suor nas costas. Enquanto subia, vários pensamentos invadiram a minha mente. “Luciana do céu, o que está fazendo aqui?”. “Quem mandou você vir aqui?”. “Vamos, Luciana, vamos!”. “Olha a respiração!”. “Já que está aqui, não desista!”. “Força na pernoca! Cuidado com a respiração!”. “Deus meu, me ajude!”. “Meu Deus!”.

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Foto: Vinicius Leyser da Rosa

Precisei parar em alguns trechos da subida para me hidratar e retomar o fôlego. Suava um monte. Minhas pernas estavam trêmulas. Quando me senti melhor, lá fui eu. Parei de novo. Continuei. De novo, parei. Voltei a pedalar. Não me lembro agora se parei mais.  “Oh, cheguei! Louvado seja Deus!”.  “Eu subi! Subi o Morro da Cruz! Graças a Deus!”. “Nesse morro eu não morri!”. Fiquei muito feliz e o dia ficou marcado na minha vida: a manhã do domingo de 15 de março de 2015. E hoje, quando posso, subo com a galera do Nesse Morro Eu Não Morro nas noites de quarta-feira, e consigo pedalar sem parar. E sempre há ciclistas experientes auxiliando e incentivando os iniciantes. Até hoje recebo este estímulo: “Vamos lá, Lu!”.

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Foto: Vinicius Leyser da Rosa

“Lu, percebi que o Morro da Cruz é especial para você. Por quê?” Porque é difícil, mas possível de subir. Encontrei o meu jeito de pedalar no morro: sabendo quando é o momento de trocar a marcha e, o mais importante para mim, manter em ritmo constante. Nunca subi rápido. Do alto e no mirante do Morro da Cruz, há uma vista espetacular da cidade e uma cruz imponente que me faz lembrar o que Deus fez e faz por mim. Considero um excelente treino para encarar outros morros da vida! Graças ao Morro da Cruz, consegui encarar subidas em lugares como a Serra do Rio Rastro. Ah, e descer é uma delícia! Vento na cara!

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Foto: Rodrigo Mesquita

Morro da Cruz

Luciana Vieira Visualizar tudo →

Blog que compartilha a minha alegria em pedalar. Evidente que não há só alegria, porque sabemos muito bem que o nosso país não valoriza os ciclistas. Melhor dizer: não pensa em todas as pessoas como os pedestres, os cadeirantes e os idosos. Além das experiências de minha vida como ciclista, este espaço trata sobre outros temas, mesmo não tendo relação com a bike. Dou um alerta: o fato de gostar de pedalar não significa que sou especialista nessa temática. Aqui são histórias, opiniões, relatos, o que vier da minha mente e eu julgar interessante de contar. Na primeira postagem deste blog, convido a ler sobre o motivo de se chamar Aquela que pedala. Quem escreve? Sou a Luciana Vieira, tenho deficiência auditiva e moro em Florianópolis/SC. Atuo como assistente administrativa em empresa federal de energia elétrica e, desde 2013, procuro usar a bicicleta para me deslocar ao trabalho. Comunicação Social com habilitação em Jornalismo é a minha formação acadêmica e não exerço a profissão. Sempre gostei de escrever e já tive o prazer de dar uma de escritora em blogs de amigos como o Máquina de Letras. Mais segura em escrever e expor no meio virtual, decidi ter o meu próprio cantinho. E assim Aquela que pedala vem a ser a varanda de meus escritos. Sugestões, opiniões, críticas? Escreva para o e-mail aquelaquepedala@gmail.com

6 comentários Deixe um comentário

  1. Que bacana. Quero subir contigo Luluca, a recompensa das subidas realmente é maravilhosa. É a melhor maneira de lidar com as “pedras no caminho”. Abração

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