De mãos dadas

Certo dia estávamos na rua da casa de meus pais. Eu ainda me recuperava de uma doença, mas mesmo assim brinquei com os meus três preciosos sobrinhos: uma menina de cinco anos de idade na época e dois meninos, um de quatro anos e o outro de três. Nesse dia a minha sobrinha mostrou a sua habilidade em andar de bicicleta sem as rodinhas no pneu traseiro. Fiquei feliz da vida pela sua conquista. Logo eu que adoro pedalar! Quem sabe ela será a minha futura companheira em pedaladas.

Depois dos momentos com as bicicletas, meus sobrinhos anunciaram: “Agora vamos brincar de pega-pega!” Eu fui escolhida para começar a pegá-los. A minha sobrinha gritou para o primo de quatro anos de idade: “Corre que a tia Lu vai pegar a gente!” Os dois deram as mãos e correram para fugir de mim. O pequeno de três anos ficou junto do pai dele. Parei emocionada por vê-los correndo de mãos dadas. Logo veio a reclamação: “Corre, tia Lu! Pega nós!” A parada durou um instante, mas depois se transformou em muitos instantes de reflexão.

De mãos dadas… Tenho a impressão de que as pessoas hoje querem ser individualistas. O outro pode ser uma pedra no seu caminho. Pode atrapalhar os seus sonhos. Dá para ser feliz sozinho? Não, porque não fomos feitos para vivermos assim. Ninguém é uma ilha. Tem gente que consegue viver na solidão. Mas será que está bem mesmo? Evidente que precisamos ficar sozinhos por alguns momentos. Mas devemos evitar a solidão prolongada. Evidente também que necessitamos de boas companhias. As que não são boas devem ficar longe do convívio.

Ficar de mãos dadas é uma demonstração de várias emoções e atitudes. De carinho. Amor. Proteção. Segurança. Apoio. Alegria. União. De mãos dadas com Deus. De mãos dadas com a minha família. De mãos dadas com os meus amigos. De mãos dadas com o meu próximo.

OBS.: Este texto foi escrito em 2011 e nunca publicado. Eu tinha uma foto das mãos dos meus sobrinhos que perdi. Ler o que escrevi me fez pensar deste momento que vivemos em nosso país. Estamos precisando dar as mãos para acabar com a crise. Temos caos na saúde. Caos na economia. Caos na educação. Na segurança, na mobilidade urbana… Vamos dar as mãos em favor de um Brasil melhor?

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Foto: Luciana Vieira

Reflexões

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Blog que compartilha a minha alegria em pedalar. Evidente que não há só alegria, porque sabemos muito bem que o nosso país não valoriza os ciclistas. Melhor dizer: não pensa em todas as pessoas como os pedestres, os cadeirantes e os idosos. Além das experiências de minha vida como ciclista, este espaço trata sobre outros temas, mesmo não tendo relação com a bike. Dou um alerta: o fato de gostar de pedalar não significa que sou especialista nessa temática. Aqui são histórias, opiniões, relatos, o que vier da minha mente e eu julgar interessante de contar. Na primeira postagem deste blog, convido a ler sobre o motivo de se chamar Aquela que pedala. Quem escreve? Sou a Luciana Vieira, tenho deficiência auditiva e moro em Florianópolis/SC. Atuo como assistente administrativa em empresa federal de energia elétrica e, desde 2013, procuro usar a bicicleta para me deslocar ao trabalho. Comunicação Social com habilitação em Jornalismo é a minha formação acadêmica e não exerço a profissão. Sempre gostei de escrever e já tive o prazer de dar uma de escritora em blogs de amigos como o Máquina de Letras. Mais segura em escrever e expor no meio virtual, decidi ter o meu próprio cantinho. E assim Aquela que pedala vem a ser a varanda de meus escritos. Sugestões, opiniões, críticas? Escreva para o e-mail aquelaquepedala@gmail.com

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